"A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo,
no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede
o que ele pode dar de amor,
de amizade, de socorro."
( Vinicius de Moraes )
Viver, sem dúvida, é uma maneira de doação ao outro. Não há forma mais pura e verdadeira de nos sentirmos bem quando ajudamos alguém. Quando tomamos uma atitude altruísta, quase sempre, é porque nos colocamos por debaixo daquela pele alheia, daquele ser em desespero e o acodimos da maneira como podemos. Atento leitor, faço essa pequena digressão pois ainda me sinto incomodado. Em um determinado momento do dia eu recebo uma ligação. O meu amigo do outro lado da linha está claramente aflito. Frases curtas; monossilábicas. Quando do encontro percebo toda a angústia que aquele ente carrega consigo. Um amor que não se resolve, um trabalho pouco digno, problemas em casa... todos nós temos obstáculos a superar todos os dias. É a luta diária e ininterrupta pela vitória do que não sabemos, apenas seguimos.
O ponto que quero discutir é a fragilidade que sentimos quando notícias de pessoas próximas a nós surgem. Reflexivo leitor, quando aquele seu amigo de longa jornada lhe diz que aquele outro, o qual você estima profundamente, está passando por momentos difíceis ou aquele sorriso esfuziante se transformou em cápsulas de tarja preta... é hora de repensar. Repensar não quer dizer apenas pensar novamente e sim começar a pensar, do zero mesmo. Nós, e me incluo com muita tristeza nessa conta, estamos sempre com as agendas lotadas, compromissos, focados em alguma coisa que pensamos ser um fim. O que se costuma definir como objetivo. Objetivo?! Será mesmo que tem valido a pena?!
A rotina nos joga em um buraco. É como se tudo fosse menos importante que a bendita (ou maldita) hora de acordar, tomar café, ir para o trabalho, trabalhar duramente, cansar, voltar e recomeçar o ciclo. Esquecemos dos detalhes, das sutilezas, das gentilezas, de prestar a atenção no outro.
As letras não podem voltar o tempo, ajudar naquele momento em que eu poderia e não estava lá. Remorso profundo em não ter estendido a mão quando mais precisaram. Desculpem-me, meus amigos!! O odioso tom egoísta dos dias que passam, cega. Cada vez tenho mais certeza que o caminho a seguir não é esse. Vamos fazer um esforço, e também será meu compromisso, de nos preocupar com os nossos amigos, nossa base! Conquistar um mundo melhor a nossa volta é construir em nós uma serenidade, mesmo que passageira...
Não poderia ficar calado após o que aconteceu na última madruga de domingo em Andradas.
Para os que não estavam na cidade e não presenciaram os momentos de horror, conto-lhes o resumo.
Um rapaz brigou dentro do Clube Rio Branco e foi expulso pelos seguranças: medida normal e corriqueira. No entanto, ele ficou irado com essa atitude e começou a atirar pedras, tijolos e outros objetos na fachada do clube, que ficou totalmente destruída. Cerca de 20 pessoas participaram da ação digna de faroeste.
Mas, perplexo leitor, o que mais causou fúria foi o procedimento da Polícia Militar de Minas Gerais. Quando me dei conta da proporção das cenas que estava presenciando, decidi filmar tudo. os PMs demoraram mais de 30 minutos para chegar até à ocorrência, o que caracteriza uma omissão tremenda. Não obstante, um dos homens pediu para que eu saísse do meio da rua. Respondi-lhe de que a rua era um espaço público e que eu desfrutava desse direito. Mesmo assim ele não se convenceu de meu "argumento" e disse que pública era a calçada. Obedeci e fui até a calçada.
Passados alguns minutos houve a tentativa de imobilizar o principal arruaceiro que havia liderado o "ataque" ao clube. Neste momento fui próximo aos policiais para registrar o momento. Como vocês podem atestar no vídeo, os "espectadores" clamam para que a Polícia faça com que eu pare de gravar por estar "atrapalhando". Neste momento um deles vem até mim, empurra-me três vezes com um cacetete e toma o celular de minha mão. Totalmente alterado e despreparado o mesmo policial disse que eu estava "conturbando" a situação e que se eu não me retirasse de imediato seria preso. Queria saber em qual delito do código penal eu me enquadro nesta situação, pasmo leitor?
Vocês podem imaginar o tamanho da minha indignação. Quem é pago para nos proteger e assegurar os direitos básicos, nos priva deles em nome do uso da força do coldre.
Saravá, caro leitor. Há quanto tempo já não sento aqui para trocar algumas impressões e fazer com que pensemos mais sobre um assunto qualquer. Podem dizer que sofro da ingratidão para com meu companheiro de copo. Assumo a dívida e espero me eximir daqui pra frente com boas novas.
Cansado de somente escrever sobre as mazelas da Capital, sobre as desventuras do ser humano, resolvi escapar da rotina.
Vamos ao que interessa.
Não nos soa confortante quando nos vemos retratados na história de outrem? Reflitam comigo: um colega começa a contar sobre a grande viagem que fez à China, daquele destemperança no trânsito, da reunião de família, dos amores. Não só nos traz a noção de que os fatos nunca estão isolados no mundo e mais do que isso, de que todos nós, de alguma maneira, fazemos parte de uma ou outra história.
Um bom contador delas consegue lhe transportar para o relato dele. Introspectivo leitor, já lhe ocorreu de no meio daquela conversa despretenciosa você escutar aquele "estalo" e perceber que aquela história não pertence ao emissor, mas a você mesmo?!
Fiz essa digreção para lhe trazer um problema de ordem técnica, e aqui sua ajuda me será útil.
O bom contador de histórias consegue fazer delas todas um ensejo para organizar ideias. Conforme ele conta, coloca os pingos nos "is" e realoca aquilo que outrora era confuso. No entanto, ele pode o fazer de maneira totalmente equivocada, para não dizer que ele flerta com o irreal. Você, que se via ali, aplacado pela realidade crua do conto já vislumbra um outro ente. Trocando em miúdos: falsearam o mundo real das lembranças. O que fazer? Eu já não sou mais o ente de carne e osso que viveu aquele momento, muito menos o ser que sai pelas palavras daquela boca. O ente de outrora já também não encarna na cabeça do emissor como deveria. Ele é fruto de esquecimentos, algumas pitadas de imaginação e reflexões "a posteriori" que o fazem quase um rascunho perdido.
Vejo-me por muitas vezes assim; um rascunho perdido na cabeça de muitos.
Entro pela porta da frente, como sempre fiz, mostro meu rosto, velho conhecido, peço o mesmo chopp, a mesma porção de bolinho de bacalhau, uso as mesmas calças jeans de anos, aquela camisa preta lisa, a mesma barba por fazer. Por dentro já não mora o rascunho, nem o ente de carne e osso do passado. Como me apresentar? Como fazer para tentar mudar a impressão de sempre?
Se você souber como, me dê a chave desta problemática.
Já não sei se sou um ou outro.
A lâmpada já fazia barulho há tempos e dava indícios de que iria queimar. Dito e feito. Numa das tantas cheganças pela madrugada, ele foi surpreendido pelo estalo e o apagão que se seguiram.
Não hesitou em transformar a luminária do seu criado em uma fonte de luz provisória. Tratou de mirar o feixe para a parede branca: maior claridade.
Naquele momento foi que se recordou de como havia usado daquele recurso outrora. Numa dada situação totalmente diferente daquela posta. Em uma em que a penumbra é desejada e não um obstáculo.
Quantas reminiscências, meu leitor ...
Provavelmente você já as teve. Começa como uma reação em cadeia, na qual as coisas vão se sucedendo de uma forma alucinada e no mergulho de várias lembranças você é tragado. Por vezes, traído por esses "souvenirs" ou marcado pelos "feed-backs".
Pois bem, foi o caso. Havia muito tempo que ela não me aparecia tão nítida e lasciva. Foi somente fechar os olhos e deixar a escuridão tomar conta do quarto. A porta dos sonhos se abriu e me trouxe você; tão palpável, tão real...
Hesitei em acordar e findar com toda a recordação bem vinda, a vida continua e como um forte raio do sol de verão exige o seguir. Segui ... não menos saudoso de tuas mãos, no entanto, menos obscuro delas.
Tudo lhe pareceu mais mesquinho do que quando partira (…) não viu nada que lhe parecesse digno de suas saudades.
( Amor nos tempos do cólera )
Andradas, em época de Festa do Vinho, torna-se uma cidade diferente da habitual. Os seus filhos que estão espalhados por outras terras têm a oportunidade de retornarem e reviverem momentos que aqui viveram. Como um deles, entristeci-me ao constatar que a nossa cidade está tão mal tratada. Não há nenhuma referência de que o evento celebrá os imigrantes italianos que a fundaram. Parece que o mote do vinho é apenas um entre tantos outros para uma festa qualquer. O resgate cultural que víamos há algum tempo foi perdido. Perdeu-se o respeito pela história, pela origem da celebração. A “Terra do Vinho” nunca esteve tão escura, esburacada e suja. O descaso administrativo é gigante e necessita de urgente mobilização da população conscientizada.
O Pico do Gavião, outra de nossas referências, contrariando o jargão agora nos “é de direito, mas não de fato”. A transferência da sede do Clube do Pico do Gavião para Águas da Prata nos tirou culhão turístico. Não obstante, encerrou com um ciclo de cinco anos de aquecimento dos setores hoteleiro e comercial que se beneficiava do dinheiro dos turistas apreciadores do “melhor pico de voo livre do mundo”, segundo especialistas.
Caro leitor, não há como ficar inerte a tantos despropérios. Precisamos instigar, debater, questionar as (não) ações que a atual administração vem tomando.
Citemos alguns exemplos: o tão esperado parque ecológico, que já tinha a sua pedra fundamental desenrolada, foi totalmente negligenciado, abandonado e o dinheiro público já gasto naquela obra foi todo perdido. As obras do materno infantil já estão atrasadas e em fase primitiva. A merenda escolar voltou a ser biscoitos porque, segundo a divisão competente é mais nutritivo que o outrora arroz, feijão, carne e salada servidos. A secretaria de educação se move para negar transporte aos estudantes universitários enquanto o ônibus com a biblioteca móvel “não se move”, estacionado no pátio do almoxarifado. Talvez seja fruto do pouco apreço à leitura das atuais autoridades do município.
Contudo, não se pode negar a evolução em algumas áreas. A implementação das “novas lixeiras” importadas de Portugal em que se joga o lixo de um lado e ele cai do outro,; é um feito administrativo. Neste mesmo ensejo temos novas “aulas” de educação física para alunos da zona rural: “subir em árvore e atravessar rio”, logradas pelo chefe do competente órgão.
O governo que seria popular não parece tão afeito ao nome quando cobra entrada na Festa do Vinho que até 2008 foi de graça.
Como observador, só lamento por tamanha incompetência política que acaba por prejudicar todos os contribuintes andradenses. Você, morador andradense, que faça valer seu voto e exija uma administração que não subestime a sua inteligência e que confunde gerir o espaço público com aparelhá-lo e sucateá-lo.
Após muito tempo longe daqui, resolvi voltar. Revendo anotações no meu caderno, dei-me conta da quantidade de coisas que já acontecerem esse ano. Ele foi comprado exatamente no dia 4 de Janeiro de 2010 e parei para olhá-lo neste sábado de Junho. Nele estão desde exercícios em inglês, passando pelas aulas teóricas da faculdade e chegam em cartas para parentes, pessoas queridas que deixei de alguma forma. Rascunhos para o Sambuteco também estão lá, mas ainda quietos e mudos, esperando a hora de alguém dar-lhes voz.
Recentemente perguntei-me sobre o porquê de possuir um blog. Pensei seriamente em encerrar a conta e fechar essa "mesa de bar" aberta em 2008. Mas, como dessas coisas que não sabemos explicar, recebi uma mensagem de um amigo. Li que ele aguardava com ansiedade uma nova publicação. Inquieto, passei a repensar tal conduta. Na última vez que visitei a terrinha, colocando o papo em dia com os amigos de sempre, um deles me disse que indicara meu blog a um amigo e que esta terceira pessoa conseguia se ver em minhas letras.
Ora, novamente inquiri-me, quantos se dão ao trabalho de "destravar a fechadura"? Se você não vem com a chave para este blog, talvez fique somente no jardim da entrada.
Não importa o número de pessoas que se sentem satisfeitas com minhas delongas, se lhes trago alento, de alguma forma cumpri minha missão. Fidelizar você, simpático leitor, foge de minha alçada, mas se consigo, agradeço-lhe. Talvez seja uma maneira de não nos sentirmos tão sozinhos nesse mundão, que as vezes é tão mundinho.
Mudemos de assunto.
Copa do Mundo. Só tenho uma coisa a dizer: para quem assistiu a de 2006 na pacata Andradas, a de 2010 está sendo uma fúria de emoções. Como é gostoso ver todos naquele sentimento, aquele clima de que tudo vai dar certo no fim. E pode dar, porque não?
Fim de semestre: sensação de dever cumprido: é como tirar alguém do pé de seu ouvido, lembrando-lhe dioturnamente daquele trabalho, daquele texto, daquela prova ... Regozijo por ter conseguido superar.
Férias: realocar ideias, fazer planos, repensar para começar um segundo semestre. Sempre será assim, toda a jornada, temos que nos acostumar.
Férias 2: não sei se a terei de fato, tomara que não, tenho melhores planos para o ócio produtivo de Julho.
Férias 3: foram exatamente três férias de expectativa. Agora, ao que parece, serão tranquilas. Mas, não pense que o silêncio conforta. As vezes esconde, ou é apenas por não ter o que dizer.
Chega.
Já é tarde. Outro sábado que passo por aqui. Este, em especial, com a perda de Saramago e ao som de Radiohead é um pouco triste, longe do habitual. Amanhã, como o próprio mestre já escrevera "será mais um dia para alguns", para mim também, e que seja de alegria e vitória.
Desenvolvi uma certa repulsa a lugares fechados, quentes e cheios de pessoas se expremendo. Tal resolução que me foi imposta pelo cérebro, e que digo a você, claustrofóbico leitor, é a pior das imposições, aflora como uma onda negativa que percorre o corpo e paraliza. Por esses dias, retornando à vida paulistana, após certo tempo em terras mais frias, fui a uma casa na famosa rua Augusta. Na companhia de meus amigos e de uma multidão tresloucada, a primeira respirada dentro do recinto me foi como um basta. Qualquer ser humano racional daria meia volta e hesitaria em retornar. Eu sempre decido lutar contra mim mesmo. Outra resolução, esta mais consciente.
O tempo foi passando e as más pulsações foram se esvaindo, até sumirem. Não sei que tipo de mecanismo me faz tão refém de minhas próprias emoções. Mais do que isso: eu sou o refém e ao mesmo tempo consigo ser a persona que inviabiliza o sucesso desse "rapto".
Não queria escrever linhas tão medíocres como essas, mas como sempre, falta inspiração (mentira, só tenho medo de começar a externá-la de fato ).
Vou lembrar três coisas que me tem acompanhado dioturnamente.
Desculpe o desvario que se seguirá.
Vocês três fazem uma triangulação intermunicipal, interestadual e internacional. Não sei em que pé da vida as conheci. Talvez no melhor para quem está fora, num não tão bom para quem já não está tão perto e um tempo como todos os outros para você que está perto. Conheci a de lá, profundamente. A de lá longe, desconheci. A de cá é uma incógnita. Cada qual me cativou, seja pela beleza, seja pela inteligência ou seja pelos dois em você.
Penso pouco no perto.
Muito no longe.
A média das duas é a outra.
Queria poder ter um satélite para acompanhar passos, viagens, destinos, idas e vindas que se seguissem. Pra que, dirá você? Também não sei. Hoje há um certo prazer mórbido em seguir a vida dos outros minuto a minuto se possível. Talvez tenha entrado nessa onda de maneira mais incisiva. Ou então seja um resquício ...
A de lá longe não volta.
A de lá também não.
A de cá estará sempre por perto.
Quais serão seus nomes? Saudade? Amor? Tristeza? Solidão?
Ou terão minhas delongas nomes próprios? Propriedade física e existência material?
Faça o exercício no silêncio íntimo e plástico de alguma noite. Distancie e aproxime ao seu bel prazer, como numa maré. A primeira onda que te arrebatar, é dela que você deve tomar cuidado, as outras se formam no fundo do olhar, mostram-se perigosas, mas não chegam na linha de arrebentação, são inofensivas, ou efêmeras.
Permita-se fazer esse mergulho pessoal, mas cuidado para não voltar sem fôlego.
Não bastasse o cansaço destes dias, ontem, quando coloquei a cabeça no travesseiro eu me lembrei de seu cheiro.
Quando das tuas chegançasintempestuosas e difíceis para mim.
Do meu retorno de ansiedade e temor.
Chega a ser cômico, se não fosse trágico, a maneira terna como olho para a outra parte vazia da cama. Nunca está vazia. O meu vazio é encarnado por alguma reminiscência confortante, que me faz rir de mim mesmo e pegar no sono. Talvez eu dê valor nisso hoje, há tempos o vazio era quase um abismo entre mim e meu eu exposto frente a mim.
Ainda nesse rompante de lembranças, escutei seus barulhos noturnos.
Fiz meus olhos vislumbrarem tua imagem dormindo, tão serena.
Reorganizei os desvarios que se mostravam para mim.
... cá estou, atento leitor ...
não fique preocupado, querido amigo que lê.
Com um certo regozijo dei as costas para a parte vazia da cama e desviei meus lampejos para algo mais concreto e que mereça o meu apreço, diferente destas memórias.
O que seria mais concreto do que o amor? Possivelmente o amor na sua forma dada e não na sua forma platônica. Amor na forma de amigos e paixões, fazendo referência á antigas letras que já passaram por aqui.
É pra vocês que estão lendo que eu sigo a jornada. Já disse reiterada vezes para cada qual de vocês, o quão importantes são. Especifiquemos vocês: os meus companheiros de faculdade, meus conterrâneos andradenses, amizades que fiz no primeiro estágio, amigos de pensionato, na minha primeira viagem de fato, meus familiares.
Um grande amigo um dia me perguntou sobre o que eu achava ser o pior defeito em uma pessoa. Respondi-lhe que a ingratidão se mostrava como uma característicadesprezível.
É por conta do medo de ser ingrato que lhes agradeço a toda oportunidade que me surge. Por mais enfadonho que isso possa parecer para vocês.
Voltemos à minha lembrança.
Depois de dar as costas e fechar os olhos para mais uma noite ao lado do vazio, eu, quase sussurrando, lamentei a sua ida. Não por mim, mas por você ...
Assento número 506. Quinta Avenida, esquina com a 42 na cidade de Nova York. Estou escrevendo esse texto dentro da Biblioteca Pública da Big Apple. Olho as pessoas ao meu redor; todos concentrados em seus laptops, certamente trabalham. Tenho Steeve ao meu lado; estudando: grande encontro entre a sua sobriedade, polidez e educação ante minha vivência latino-americana (entenda isso como quiser, sábio leitor).
Menos de um mês para eu voltar para o Brasil e já sinto uma necessidade absurda de voltar para esse lugar. Este específico lugar. Minha estada nos Estados Unidos é algo como o Carnaval no Brasil, tem que acabar em algum momento, apesar de todo o país querer continuar em festa.
Entenda, conterrâneo leitor, que o retorno denota uma porção de retornos. Não tenho medo de encará-los, mas uma preguiça incansável. Voltar à USP vai ser missão penosa. A faculdade de jornalismo é um antro de desapontamentos, decepções e fadiga. Obviamente não falo das pessoas, mas da maneira como a ECA se abateu: sem vida, repetitiva e mentirosa. Alguns fingem que estudam, outros fingem que ensinam e todos fazemos parte desse grande circo fadado à marmelada.
Voltarei para a família e amigos.
(Parágrafo dispensável e reticente)
Voltarei para a minha pátria: a língua portuguesa, citando Fernando Pessoa. Como é bom se comunicar fluentemente, sem pensar muito no que se diz: não cansar por falar. Vamos contar um causo: certa vez ajudei um japônes a encontrar a lavanderia do dormitório. O aventureiro nipônico não consegue pronunciar uma vírgula em inglês. Percebi nele uma vontade descomunal de dizer: "Muito obrigado, valeu mesmo!", mas nada saiu. Certas horas o interdito funciona para o receptor mas não satisfaz o emissor.
Se minha pátria é a língua portuguesa, também é o Brasil, de todos os problemas. Felicidade misturada a uma certa melancolia; em ver potencial e não ver vontade, em ver oportunidade e não ver predisposição.
Suiça, França, Alemanha, Espanha, Itália, República Dominicana, Coréia do Sul, Japão, Vietnã, Líbia, Arábia Saudita, Cazaquistão, Azerbaijão, Rússia, Israel, Argentina, Chile, Turquia: carrego um pouco de sua cultura comigo, muito bem enraizada em seus filhos.
Volto sim, com a certeza absoluta de estar mais maduro, mais confiante, mais humano. Entender que no fundo todo mundo e cabe entender todo "o mundo" não busca muito mais do que felicidade, bem estar e harmonia, cada qual vivendo à sua maneira, mas em paz. Aceitar as diferenças, mais do que um clichê, é uma lição de dignidade humana.
A grande janela que me separa do frio de Nova York tem sido a ponte entre dois mundos totalmente diferentes. Por ela, eu consigo avistar toda Manhattan, o simbolo da opulencia, ostentacao, glamour, tudo no fim daquela ilha, por volta da rua 44 com a setima avenida, respira despudor e pretencao. Do outro lado da janela existe o Harlem, um bairro excluido desse desenvolvimento. Predios altissimos contra casas baixas e marcadas por um mesmismo governamental. Sao suspiros de vida diferentes, aspiracoes que sao separadas pelo Rio Hudson ou por uma grande avenida. E como se houvesse um abismo entre o paraiso capitalista e qualquer outro bairro. Poderia ser a Bela Vista, a Liberdade ... o que importa?
Essa e uma disparidade das quais mais me marcam nessa minha estada por aqui. A frieza dos norte-americanos ja era esperada e foi confirmada. Desde que cheguei, talvez tenha recebido dois abracos: obviamente nenhum deles veio da Europa ou da Asia. Brasileiros que sentem falta desse contato mais quente, isso mesmo, a proximidade dos corpos. Boas surpresas tambem me esperavam por aqui. Um argentino gente boa, talvez eu so achasse um exemplar fora desse pais arrogante. Um suico que ri de minhas piadas mal contadas em ingles. Uma sul-coreana apaixonada pelo Brasil... insisto nos suspiros de vida desta cidade.
Andar pela Times Square e uma experiencia antropologica. A brincadeira e adivinhar de qual pais sao as pessoas. Ingles e a lingua menos falada naquele lugar. Democraticamente todos olham a beleza dos paines, tiram fotos, divertem-se, passam frio e dao o tom da passada.
Deixar tudo para traz no Brasil foi dificil. Confesso. Pai, mae, irma: chorosos no ultimo chacoalhar dos bracos. Amigos: alguns paulistanos, alguns mineiros, mas todos brasileiros, acima de tudo, dispostos a me ouvir, agregar-me valor e me socorrer nos momentos de fraqueza, que em 2009 se somaram muitos. Toda uma cultura, um calor ... abrir mao parcialmente de tudo isso, quando tudo isso entra em ebulicao. Complexo. Amadurecimento.
O importante e olhar-me de maneira mais compenetrada, focada, decidida. Tenho plena conviccao, agora nesta jordana mais longinqua, de quem sao meus verdadeiros amigos, aqueles que se preocupam com o meu bem estar, com a minha saude. Os outros? Ah, provavelmente nao e voce, amigo leitor, se le este post e porque se importa de alguma forma comigo. Mas, se voce e um curioso, um afoito pela minha vida, um deverador de sonhos alheios, brinque com as minhas palavras. Faca delas o que achar conveniente, mas saiba que nao me sinto tocado pela sua opiniao, que e vaga, parcial, rasa e futil.
Queridos, continuarei colocando minhas impressoes neste blog durante todo o ano. Espero nao os ter cansado com tantas delongas. Com muito suor escrevo essas palavras num teclado norte-americano, sem acentos, espero que compreendam. Do mais, feliz ano novo para voces que entraram em 2010 com o espirito renovado. Anos pares sao melhores, eu tenho certeza disso. Para quem ficou em 2009, desculpe, nao ha nada que eu possa fazer. Seja mais homem ou mulher para suportar o fardo dos covardes.
Este ser imperfeito que vos escreve, soberbo leitor, acaba de se tornar um herege. Sim, violei o mais sagrado dos dogmas, agora sou um excomungado, um execrado, um pária. Qual será o destino dos que traem a si próprios? Em qual andar do inferno de Dante eu descerei?
As coisas ficaram complexas a partir do momento que não consegui cumprir aquilo que prometi para mim mesmo. Parece um transtorno no cérebro, conflito doloroso entre os hemisférios, em que o portador é fadado à derrota. Pior do que ela; a descrença.
Constatar que se chegou a tal fim pode ser um ensejo para uma retomada: alento. Também pode ser a passividade e total abnegação do ente: desalento.
A força, que nos compete para superar, onde está? Que sentimento fecundo corre em minhas entranhas que não permite sossegar a carne?
Quantas perguntas, enigmático leitor! As interrogações têm substituído os pontos finais; estes viraram reticências.
Reticência burra, mesquinha, impregnada de um poder que não detenho, carregada de um afeto que transborda. A dicotomia, clara dúvida de quem vive, é determinante, indefectível: certa. Não hesita.
Desacreditei-me. Preciso de um tempo reflexivo. Mensurar os meus valores, repensar condutas. Quem sabe eu volte a ser crível. Hoje sou apenas um ser sofrível, nas duas acepções da etimologia, ou seja, de sofredor e na sua vertente de insuficiência. Chega a dar pena, a penúria dos nervos, sua rigidez. Vorazes, querem saltar à pele. Tolo do que tenta resistir.
Facam seus votos! Eu não sou investimento seguro, sou flutuante, ativo de risco, 100% de risco. Vou vagar por outras bandas, mais frias, quiçá elas esmoreçam minhas investidas, meus amores.
Mesmo sem desejar, mesmo desviando a face, eles são implacáveis. Não existe sentimento tão enigmático quanto esse. O momento que se dirige o olhar, alguém o dirige contra o seu.
Por vezes ele é implacável;
encontra um choque dolorido, um choque frontal, um choque fatal. Ele crava um momento indelével e que nenhuma palavra seria capaz de definir ou conceituar tal realidade.
Por vezes ele é terno;
afetuoso, abraça o emissor bem como o receptor, é um sentir-se acariciado sem existir um tato.
Mas, caro leitor, existe outra modalidade de olhar. O olhar sem visão, o sem horizonte, o sem sentido. Não se consegue discernir se aquilo é bom ou ruim, se aquilo lhe transmite algo ou não. É uma vontade de chegar e perguntar: "E ai, meu amigo, me explique seu olhar!"
Qual será a resposta?
Nessa vicissitude momentânea, posso lhe garantir, visionário leitor, o olhar significa o desencontro, a desarmonia, a nítida sensação de que nem as palavras deram conta. O olhar se perdeu!
Procuro um olhar que me faça mergulhar num buraco negro, sem pensar e, talvez, nadar num mar azul, verde ou castanho, mas que seja leve.
O fim da exigência do diplomata de jornalismo para exercer a profissão suscitou uma discussão lastreada no direito à informação e liberdade de expressão. O argumento usado no STF, tendo em Gilmar Mendes o seu ministro relator é de que o diploma cerceava o direito do cidadão comum a se manifestar, criando uma reserva de mercado. Outro argumento muito difundido foi o de que o “agir ético”, que é uma das pilastras do bom jornalismo, não é ensinado em qualquer faculdade, ele é um sinal de caráter, é pessoal. Para arrematar, falou-se muito da origem do diploma, nos idos na ditadura, e que nos EUA tal requisito nunca foi necessário.
Ora, comparar a realidade brasileira com a norte-americana é, no mínimo, reducionista. Nossa imprensa nasceu de uma maneira diferente, nossa sociedade é diferente, temos valores e preceitos distintos, enfim, devemos entender e não comparar. Quando Gilmar Mendes traça um paralelo entre o jornalismo e profissões como culinária, moda e costura, que elas me perdoem, ele menospreza todo o arcabouço social que a imprensa veicula. No Brasil, em que as instituições são débeis e viciadas, o papel do jornalismo é dar um alento à população, escancarar todos esses imbróglios e, portanto, mobilizar a população por melhorias.
Nos grandes conglomerados comunicacionais como a Folha e o Estadão os critérios de seleção sofrerão poucas mudanças, quiçá nenhuma. Sempre se procurou os melhores profissionais nas melhores instituições, tem sido assim desde que o jornalismo se profissionalizou pelas terras tupiniquins. Entretanto, em cidades do interior em que os jornais são bancados pela prefeitura local, por uma ou outra empresa, o vínculo ético de um jornalista “imparcial” e a notícia fica totalmente desestruturado. Você dá voz a alguém sem compromisso nenhum com a verdade dos fatos, porem a noticia é propalada e por vezes assumida como factual. Onde fica o dever ético de nossa profissão?
A escolha do Rio de Janeiro como a sede dos jogos olímpicos vem coroar o momento ímpar que o Brasil passa. Resultado não de um ou dois governos do presidente Lula, mas sim de quase duas décadas de estabilidade econômica, o país passa a ter peso indefectível no cenário externo. Os críticos e pessimistas já estão alvoroçados, defenestrando a escolha do Rio como ilógica e desmedida. O argumento deles baseia-se em prioridades, ou seja, a capital fluminense, o país como um todo, necessita de melhorias em áreas como a saúde e a educação a revelia de obras para a Olimpíada. Não obstante, citam o descalabro nos gastos com o Pan e seu legado para a cidade.
Ora, não se deve confundir as coisas. Obviamente o país possui muitas mazelas de ordem social. Ainda há analfabetismo, ainda há submoradia. Contudo, na história recente do mundo, não há caso parecido com o do Brasil. Em pouco mais de 40 anos nossa população aumentou em 100 milhões. Isso reflete e muito em hábitos, valores, costumes. Na sociologia costuma-se falar nas “dores do crescimento”. O Brasil ainda passa por elas. O Rio de Janeiro não é diferente. Os morros são reflexo dessa verdade.
A Olimpíada vem selar um novo contrato social entre população e governantes, ou o mais importante, um novo espírito de auto-reconhecimento. Os brasileiros nós sofremos da síndrome da subimportancia, tudo que ocorre em terras tupiniquins é pior do que no exterior. Somos a escumalha mundial. Esse novo pacto pode mostrar um novo país nascendo de estádios e ginásios. Um país que acredita na força do seu povo para crescer, em que os brasileiros se orgulhem de se dizer como tal. Não se trata de um discurso ufanista e sim o surgimento de uma verdadeira nacionalidade, morta pela ditadura.
É tempo de entender que o esporte tem o escopo de trazer o jovem para o exercício da cidadania. Na prática esportiva tem-se a noção de competitividade, respeito ao professor, hierarquia, disciplina, interação social. Ademais, temos os benefícios trazidos para a saúde com a prática esportiva. Em Copenhague, não foi o Rio quem ganhou, foi o Brasil. Em cada canto dessas terras tropicais haverá uma mobilização em torno do esporte. Ganhamos a oportunidade de construir uma geração diferente das que se sucederam até hoje. Formaremos uma nova juventude sedenta por esporte, é a Copa do Mundo em 2014, é a Olimpíada em 2016.
O pessimismo precisa sair do nosso arcabouço histórico. A hora é de apostas, de otimismo. Saber gerir os recursos que virão, saber administrar o volumoso montante de dinheiro público que estará disponível será tarefa árdua. Entretanto não maculemos algo antes que ele comece. A vitória do Rio conclama todo um país, na letra de Chico Buarque, “Estação Derradeira” ele diz: ”Rio de ladeiras, civilização encruzilhada, cada ribanceira é uma nação”. O desafio é dar alento a essas “nações”, fazê-las convergir para este novo contrato. Estamos diante de uma nova decisão para o Brasil.
O casal era jovem, estavam apaixonados. Não se tratava de um homem sério e uma moça recatada, pelo contrário, Henrique e Aline formavam uma dupla que exalava libido. O famoso clichê fogo e gasolina, que não sei por quem foi criado, deve ter se inspirado nos pombinhos, ou diabinhos, como preferirem.
Juntos, eles escreviam um capítulo novo a cada fim de semana. Os amigos se reuniam na segunda feira para escutar as excentricidades que Henrique e Aline faziam questão de propagar aos sete ventos. Porém, numa certa segunda feira, fez-se silêncio e as risadas de outrora se transformaram em bochechas rosadas e vergonha, muita vergonha. Explico, caro leitor.
O dia era 12 de junho, dia dos namorados. Ele queria dar-lhe a noite mais feliz de sua existência. Ela queria jantar, mas também não abria mão da volúpia encarnada em seus desejos.
Jantaram. Preferiram algo leve; ostras. Beberam. Baco lhes reservou um delicioso espumante. Explosão. Salta a rolha e o brinde se torna o ensejo para uma noite bem mais longa.
No carro, os quereres se tornam insustentáveis. O motel é proposto. Mas para qual iriam? Para o primeiro que vissem, curioso leitor, penso que compreenda do que falo.
Motel Obsessão. Suíte com banheira, cama giratória, espelho no teto (como se tudo isso fosse necessário). A cama, inclusive, era em formato de coração, vermelha, daqueles tons que até doem os olhos. Barry White nas caixas de som embalou os pervertidos. Henrique e Aline, ou Aline e Henrique, não se sabia mais qual corpo era de um e de outro. Ele liga a cama giratória. Velocidade baixa para curtir uma visão mais panorâmica. Velocidade média. Preocupação. Velocidade alta. Problema. E não cessa. Parecia que estavam em algum twister de parque de diversões. Aline começa a sentir contrações estomacais. Melhor abandonar o “ninho do amor” e tentar outro lugar.
Um banho é sugerido. A jacuzzi comportava um time de futebol, com o técnico, mas um casal era mais que suficiente. Ligaram-na e mesmo tanta água não lhes apagou o fogo. Boa temperatura. Água na altura da barriga, de repente na altura no peito, e agora já na altura do queixo. E a torneira não para de jorrar. O quarto vai se tomando por um espelho d’água constrangedor.
Henrique, desconcertado, pensa em ir à recepção para sanar os percalços. Quando abre a porta, se depara com um homem peladão, andando como Adão pelos corredores, provavelmente tinha descoberto a vida naquele momento. Ridículo.
Por essas tantas, Aline se cansara, o que mais queria era o fim daquela noite, antes que alguma coisa piorasse. A conta foi pedida. Henrique passa a mão no rosto, desolado. O execrado e desejado dinheiro tinha se esvaído todo com o jantar. O que sobrara era o dinheiro da pinga, aqueles trocados miúdos, ébrio leitor.
A quem recorrer? Os amigos tinham ido pra praia. Os primos estavam morando em outra cidade. Voltaram às origens: papai e mamãe, dele, claro. Aline queria enfiar a cabeça em um buraco. Henrique administrava o seu desconcerto com certo regozijo de seu pai.
Encerrada a conta, era hora de esquecer aquela inesquecível noite. O carro estava com as chaves dentro. Perfeito.
"Faber", do latim, é construir. Talvez o nome Fabrício signifique um obreiro, um construtor. Mas o que ele constrói?
Ele pode usar sua capacidade de construir para o bem ou para o mal. Pode construir uma muralha da China, mas também pode construir um muro de Berlim. O Fabrício que conhecemos, por natureza, e aí me utilizarei da psicologia de boteco, constrói barreiras. E isso não é necessariamente ruim. Ás vezes é fascinante.
Ah, mas o que são barreiras sem ninguém para guardá-las? De que serve uma muralha, um muro, ou cerca se não há por quem resistir? E se não há quem proteger? Porque existir?
Penso que as barreiras que ele levanta são feitas de algo diferente de concreto e tijolos. São barreiras que tem a sua essência na casa das idéias. Você pode entrar na sala, dar bom dia e ir embora. Se for um ser - humano mais "convidativo" saberá ir até a cozinha, trocar algumas frases e até conhecer o quarto. São poucos que chegam até lá. É o crivo do construtor. É a barreira seletiva dos que só chegam e dos que chegam lá!!!!!
Mas este caminho percorrido da sala ao quarto é a transposição de barreiras. Os indivíduos têm em seu peito barreiras que guardam seus segredos, suas preciosidades. Transpor essas barreiras, chegar ao fundo no conhecimento de alguém é receber um tesouro. Este construtor não seria, então, um desbravador a transpor barreiras?
Seria e o é. E deve ser por isso que você, cara leitora, está com ele. Para lhes transpor as barreiras e conhecer seus mais profundos segredos. E a recíproca dele é verdadeira também !!!
...
Mudos, calaram-se. A minha caneta terminou de falar por mim e se deu por satisfeita em transferir para o papel, e agora para a tela, algo que se reserva à esquina de cada um.
Agosto se passou com a rapidez da luz. Á luz de novas realidades, vivo eu. Eu caminho com a cabeça cheia de pensamentos. Pensamentos esses que se traduzem em autoconhecimento. Autoconhecimento significa ,em alguma medida, respeito. Respeito a decisão alheia.
Atribulações do cotidiano agora me são frequentes. Frequentes são as vezes que me pego refletindo sobre a vida. Vida é algo que sempre se renova. Renovo a mim mesmo.
Descobrir entre as coisas importantes a sua essência. Essência é o que há de mais puro.
Vou me permitir contar outra impressão muito rotineira e intrigante no meu cotidiano, sonhador leitor.
Toda vez em que me vejo sem um norte, algum "plano B", eu sonho. É repousar a cabeça sobre o travesseiro e começam as alucinações. Até aí nenhuma novidade. Todos nós fazemos isso em algum grau. O que me espanta é o conteúdo do sonho. Sempre o mesmo.
Tudo começa numa praia, estou rodeado sobretudo de familiares e amigos. Um dia de sol, normalíssimo. De repente o tempo se fecha. Vejo-me só. O céu escuresce de forma brutal, tons de cinza. Contudo, o que mais impressiona é o mar. Ele cresce a olhos vistos. Fica transtornado, revolto, bravio. E o ser humano que se encontra solitário na praia toma a atitude mais irracional. Vai em direção da arrebentação.
Daí pra frente é sempre conturbado, pra não dizer desesperador. Até certo ponto eu consigo nadar e me "esquivar" das ondas. No entanto, as ondas só aumentam de tamanho, a maré sobe. Não dou mais conta de nadar, nem de respirar. Afogo.
Acordo.
Sempre com sede.
Tentei tirar algumas lições desse despropério:
1. Não é seguro nadar em mares que desconhece. 2. Em alguns casos, saber capitular é mais importante do que enfrentar a maré.
E não vou te cansar, náufrago leitor, já basta por aqui. Uma explicação que eu ainda não alcancei e ainda trabalho nela é perguntar: para onde foram os que outrora me rodeavam?