sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nada digno de nossas saudades

Tudo lhe pareceu mais mesquinho do que quando partira (…) não viu nada que lhe parecesse digno de suas saudades. 
( Amor nos tempos do cólera )

Andradas, em época de Festa do Vinho, torna-se uma cidade diferente da habitual. Os seus filhos que estão espalhados por outras terras têm a oportunidade de retornarem e reviverem momentos que aqui viveram. Como um deles, entristeci-me ao constatar que a nossa cidade está tão mal tratada. Não há nenhuma referência de que o evento celebrá os imigrantes italianos que a fundaram. Parece que o mote do vinho é apenas um entre tantos outros para uma festa qualquer. O resgate cultural que víamos há algum tempo foi perdido. Perdeu-se o respeito pela história, pela origem da celebração. A “Terra do Vinho” nunca esteve tão escura, esburacada e suja. O descaso administrativo é gigante e necessita de urgente mobilização da população conscientizada.

O Pico do Gavião, outra de nossas referências, contrariando o jargão agora nos “é de direito, mas não de fato”. A transferência da sede do Clube do Pico do Gavião para Águas da Prata nos tirou culhão turístico. Não obstante, encerrou com um ciclo de cinco anos de aquecimento dos setores hoteleiro e comercial que se beneficiava do dinheiro dos turistas apreciadores do “melhor pico de voo livre do mundo”, segundo especialistas.

Caro leitor, não há como ficar inerte a tantos despropérios. Precisamos instigar, debater, questionar as (não) ações que a atual administração vem tomando.

Citemos alguns exemplos: o tão esperado parque ecológico, que já tinha a sua pedra fundamental desenrolada, foi totalmente negligenciado, abandonado e o dinheiro público já gasto naquela obra foi todo perdido. As obras do materno infantil já estão atrasadas e em fase primitiva. A merenda escolar voltou a ser biscoitos porque, segundo a divisão competente é mais nutritivo que o outrora arroz, feijão, carne e salada servidos. A secretaria de educação se move para negar transporte aos estudantes universitários enquanto o ônibus com a biblioteca móvel “não se move”, estacionado no pátio do almoxarifado. Talvez seja fruto do pouco apreço à leitura das atuais autoridades do município.

Contudo, não se pode negar a evolução em algumas áreas. A implementação das “novas lixeiras” importadas de Portugal em que se joga o lixo de um lado e ele cai do outro,; é um feito administrativo. Neste mesmo ensejo temos novas “aulas” de educação física para alunos da zona rural: “subir em árvore e atravessar rio”, logradas pelo chefe do competente órgão.

O governo que seria popular não parece tão afeito ao nome quando cobra entrada na Festa do Vinho que até 2008 foi de graça.

Como observador, só lamento por tamanha incompetência política que acaba por prejudicar todos os contribuintes andradenses. Você, morador andradense, que faça valer seu voto e exija uma administração que não subestime a sua inteligência e que confunde gerir o espaço público com aparelhá-lo e sucateá-lo.

Um comentário:

Minhoca disse...

Só tenho que dizer que aqui tem muita verdade escrita, e não estou dizendo que A ou B foi melhor no passado, apenas julgando o presente. A nossa cidade precisa de administração profissional, e não política, aí sim temos um imenso potencial, mas sinceramente eu não vejo nada longe de políticos querendo a sua fatia vindo por aí. Nem em Andradas e nem no Brasil.

Belo texto, um ótimo português digno de um "prefeito" municipal