quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mesa de bar I

Chega a ser arrepiante o quanto uma mesa de bar pode nos mostrar. Talvez por sempre estar próximo delas, eu sinto que são uma extensão do meu corpo, quando o copo a toca, sinto como se me tocasse tambem. Creio que ela, com a compania dos que a rodeiam, tenha me revelado algumas verdades importantes ultimamente.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Paulatinamente

Delegar tarefas. Sem intenção, ou de caso pensado, cada vez mais apontamos afazeres a serem feitos pelos outros. O nosso cotidiano é repleto de bons exemplos. Quando você acorda e deixa a cama desarrumada, delega a alguém que a arrume pra você. Quando você não faz o seu trabalho de maneira correta, algum outrem arcará com o fardo da labuta. Quando você almoça e não lava a louça, delega a alguém que a lave, enxugue e a guarde novamente.

Poderia rechear este branco com vários exemplos. Eles falam por si só e se fazem ser entendidos muito melhor do que qualquer reles divagação deste que vos fala.

Nostálgico leitor, faça um força no pensamento e reflita como as coisas seriam diferentes se você as fizesse de fato. Você só dará valor na cama arrumadinha de todo santo dia, quando a perder e ter de fazer por você mesmo, aprender a arrumar. Você só dará valor na casa cheirando a limpeza, quando você entrar na sua casa imunda e ter de limpa-la sozinho, aprender a limpar: quanto diluir?

Essas passagens podem se dar pela iniciativa deliberada. Acordamos em um dia inspirado e decidimos fazer o que nos compete, ou que pelo menos está no alcance de nossos braços. Por vezes somos obrigados a fazer essa mudança, de maneira compulsória, sem mais delongas. Acredito que ambas tragam uma alegria de autosuficiente incrível, mas a segunda vem carregada de algum fator maior, que não me compete descrever nessa dissertação.

Na contramão deste raciocínio que traçamos, existem as pessoas que dominavam a técnica com habilidade. Usavam-na de maneira precisa e, por forças que não me competem explicar, desaprendem-na. No auto de sua autoafirmação, você vai se perdendo, entremeando tortuosos e lânguidos caminhos que outrora eram linhas retas.

Pouco a pouco as decisões de qual caminho seguir já não estão sensíveis. Você delegou a alguém. Paulatinamente, sem perceber, você se enveredou por alamedas muito complexas. O mapa estava errado. O google não te auxiliou.
É você contra o que você delegou.
Chegamos no ponto que gostaria, serei simples e direto: recupere sua autodeterminação. Mesmo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Rascunho imperfeito

Das incongruências da vida, tudo vai se acertar, a sua revelia ou não.

Paulatinamente o que se contruiu, desaba.

Paulatinamente o que se desabou, resurge.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Gripe: (A) Marginália

O apocalipse: todas as pessoas acreditam em algum grau no nosso fim capital. Alguns mais, outros menos. Eu diria que a mídia é a que mais aposta no derradeiro dia, pena que se isso ocorrer, não terão leitores para o dia seguinte. Recuso-me a acreditar nessa tal pandemia, nível 5, segundo a OMS ( Organização Mundial da Saúde ), ou seja, risco eminente de todos os seres humanos serem infectados. Há um quê de demagogia em tudo que se tem dito e tudo que tem circulado pelos jornais. Faz-se um alarde imenso por 5.000 casos no mundo todo. As pessoas estão imersas em um globo que já bateu a casa dos 7 bilhões de habitantes, portanto 0,00007% dos seres humanos que habitam o planeta Terra estão doentes. Fechem as janelas. Não saiam de casa. Usem máscaras, de preferência evitem respirar, possivelmente pode ser o seu último suspiro ante ao influenza.

Quando este texto circular, os casos serão mais numerosos, eles vão crescer, mas não baterão nem de longe os números que apresentarei a você, saudável leitor. No mundo, a tuberculose é uma das doenças respiratórias graves que mais mata. Só no Brasil, segundo dados da Anvisa, são 116 mil casos da doença. Esta não é noticiada como pandemia. No mundo, o vírus do HPV tem causado o aumento escandaloso da incidência de câncer de colo do útero. Só no Brasil, segundo dados da Comissão de Infectologia Brasileira, são 34 milhões de casos. Este não é noticiada como pandemia. Acho que já me fiz entender. Poderia citar outros exemplos como os casos de asma e pneumonia, mas os pouparei de dados aberrantes.

Mais: o grau de mortandade do Influenza A ( H1N1 ) é infinitamente menor frente aos da tuberculose, por exemplo, que mata 68 entre 10 mil habitantes.

Fim por fim, a indústria de máscaras ri por trás delas. A indústria farmacêutica nada de braçadas em antigripais e afins. Alguém sempre ganha com a desgraça alheia.

Mais uma vez a mídia faz o seu papel de espetacularização do mundo. Kracauer, o mentor dessa ideia, estaria gargalhando ante a tanto alarde. Atenho-me ao brasileirissimo Gilberto Gil que sabiamente cantava a algum tempo atrás: aqui é o fim do mundo!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mau cheiro

O Brasil vai mal, caro leitor eleitor. A cada dia que abrimos os jornais nos deparamos com disparates mil. Detalhe: eles não atingem somente a esfera Legislativa, a mais nefasta, mas também corrompem o Executivo e o Judiciário. Justifico tal afirmação com dois exemplos patentes.
O primeiro, malfadado, diz respeito às passagens que os congressistas recebiam e utilizavam ao seu belprazer. Os meses que o contribuinte trabalha todo ano para ser revertido em imposto era gasto com voos de Eduardo Suplicy acompanhado da namorada para o exterior, de Luciana Genro para Protógenes Queiróz realizar palestras e até mesmo para Adriane Galisteu assistir ao Carnaval. Nada mais justo, não é? Mesmo porquê Suplicy é de família pobre em São Paulo, humilde, os Matarazo. Luciana Genro, sim a do PSOL, é filha de Tarso Genro, um pequeno proprietário do sul. Protógenes Queiróz é delegado federal, mas só isso, ganha o mínimo. Adriane Galisteu também passa por dificuldades, sua carreira na televisão mal paga o pão do café.
Magnífico.

Para colocar a cereja no bolo, o presidente Lula disse que as críticas são "hipócritas" e que na sua época de deputada ele também usufruiu de tal regalia para levar "companheiros" para lá e para cá. Claro ! Justíssimo !

Não bastasse tudo isso o deputado Sérgio Mendes ( PTB-RS ), que é relator do caso Edmar Moreira , ( sim, o do castelinho ), disse: " estou pouco me lixando para a opinião pública ( ... ) vocês batem, mas a gente se reelege".

A afirmação dele é epistolar e porque não dizer categórica. Infelizmente é verdade. A nossa democracia está viciada, comprometida e entulhada. A sociedade brasileira colocou a escumalha toda junta, toda a patuleia empoleirada. Não se consegue colocar a mão no fogo por ninguém, nem pelos que outrora carregavam a coroa da ética. A coroa está sem cabeça, ela é posta na vitrine para admiração popular, mas nenhum parlamentar tem capacidade moral de empunha-la.

Para concluir: o debate sobre reforma política ganhou força e tudo indica que o voto por lista fechada será aprovado por maioria simples. Ou seja, a única arma, ainda que fosse um estilingue, que tínhamos na mão que era tentar punir o transgressor não dando nosso voto pra ele, acabou. Votaremos em listas que se construirão pelo lobby, pelo jogo político, pelo interesse financeiro. Enfim, é a manobra irada para que eles se escondam, definivamente, atrás de uma cortina fétida.

Minha vontade é de escrever mais, mas meu estômago já está revirado.
O Congresso Nacional fede.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Cartas

A era digital veio para agilizar o nosso dia a dia. Tudo é feito online: transações, pagamentos, compras. Mais: mensagens pelo celular despencam aos montes, e-mails abarrotam nossas caixas de entrada. Tudo numa frieza mórbida, uma sequidão de expressões, uma nulidade de sentimentos e propósito.

O ato de escrever uma carta foi esquecido e hoje se reserva aos dito antiquados. Mas, se você, sensível leitor, já recebeu uma carta sabe a sensação que tentarei descrever. Ela denota um hiato no tempo, uma momento que alguém dedicou somente a você, momentaneamente ele se desdobrou encima de linhas para atingir o seu âmago, para lhe contar um fato, declarar-se, despedir-se, despiu-se. Por algum espaço de tempo a vida se encerrava naquele papel branco, reminiscências, lembranças, lapsos. É um processo, não como o dos e-mails, rápidos e eficientes, a carta não pretende ser rápida nem eficiente. A temporalidade da carta também é diferente. É um dado físico, material, quando necessário você recorre a ela. É uma certeza factual, está lá, escrito a punho, suor e, por que não, lágrimas.

Claramente uma necessidade humana, o reconhecimento que uma carta traz é infindavelmente maior do que qualquer invenção dos nossos tempos. Infelizmente quem tem se lembrado dessas vicissitudes é o banco. Sim, meu maior remetente, todo fim de mês ele está atento a mim.

Não hesite quando puder remeter uma carta. Histórias foram escritas por elas. Não deixe que definhe algo tão sublime. Presenteie com palavras belas, aconselhe, elogie... singelezas do cotidiano fazem toda a diferença.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O seu tamanho

Relendo textos antigos que eu mesmo produzi e alguns textos recentíssimos produzidos para mim, notei algo sublime. Veja, nostálgico leitor, que algumas das afirmações que fazíamos com ares de certeza se voltaram contra nós mesmos, agora com ares de dúvida, questionando-nos.
Bala que ricocheteia.
O carrinho da montanha russa que chega ao ápice do trilho e volta de ré.
Boa imagem.

Nós somos exímios observadores da realidade alheia. Tecemos teorias, ou usamos das prontas, para indexar um rótulo. Estabelecer um paralelo desejável. Explicar uma situação.

Chegamos ao topo.

Abusamos das palavras, jogamo-las desencadeadamente pela folha. Saem belas frases: hipócritas. Há um quê de hipocrisia em todos nós. Sem exceção.
Pois bem, fica fácil analisar quando se está no alto. Olha-se com total imparcimonia a realidade logo ali abaixo.
Mas o carrinho desce.
O moinho gira, lembraria Cartola.

Reflita as linhas que outrora escreveu e veja quantas dicas foram dadas, quantos conselhos emprestados sendo que você era, ou seria, o protagonista. Note que estava tão mergulhado, inserido no contexto que se permitiu tecer "bulas" que mais vestiam o seu 36 do que aquele 42.

Olhe com carinho seus textos. Eles são mais inteligentes que nós, os seus autores. O que falta é o olhar cirúrgico e equilibrado para identificar as nuances. Elas saltam aos olhos do leitor atento e fogem aos do autor fugaz.