A escolha do Rio de Janeiro como a sede dos jogos olímpicos vem coroar o momento ímpar que o Brasil passa. Resultado não de um ou dois governos do presidente Lula, mas sim de quase duas décadas de estabilidade econômica, o país passa a ter peso indefectível no cenário externo. Os críticos e pessimistas já estão alvoroçados, defenestrando a escolha do Rio como ilógica e desmedida. O argumento deles baseia-se em prioridades, ou seja, a capital fluminense, o país como um todo, necessita de melhorias em áreas como a saúde e a educação a revelia de obras para a Olimpíada. Não obstante, citam o descalabro nos gastos com o Pan e seu legado para a cidade.
Ora, não se deve confundir as coisas. Obviamente o país possui muitas mazelas de ordem social. Ainda há analfabetismo, ainda há submoradia. Contudo, na história recente do mundo, não há caso parecido com o do Brasil. Em pouco mais de 40 anos nossa população aumentou em 100 milhões. Isso reflete e muito em hábitos, valores, costumes. Na sociologia costuma-se falar nas “dores do crescimento”. O Brasil ainda passa por elas. O Rio de Janeiro não é diferente. Os morros são reflexo dessa verdade.
A Olimpíada vem selar um novo contrato social entre população e governantes, ou o mais importante, um novo espírito de auto-reconhecimento. Os brasileiros nós sofremos da síndrome da subimportancia, tudo que ocorre em terras tupiniquins é pior do que no exterior. Somos a escumalha mundial. Esse novo pacto pode mostrar um novo país nascendo de estádios e ginásios. Um país que acredita na força do seu povo para crescer, em que os brasileiros se orgulhem de se dizer como tal. Não se trata de um discurso ufanista e sim o surgimento de uma verdadeira nacionalidade, morta pela ditadura.
É tempo de entender que o esporte tem o escopo de trazer o jovem para o exercício da cidadania. Na prática esportiva tem-se a noção de competitividade, respeito ao professor, hierarquia, disciplina, interação social. Ademais, temos os benefícios trazidos para a saúde com a prática esportiva. Em Copenhague, não foi o Rio quem ganhou, foi o Brasil. Em cada canto dessas terras tropicais haverá uma mobilização em torno do esporte. Ganhamos a oportunidade de construir uma geração diferente das que se sucederam até hoje. Formaremos uma nova juventude sedenta por esporte, é a Copa do Mundo em 2014, é a Olimpíada em 2016.
O pessimismo precisa sair do nosso arcabouço histórico. A hora é de apostas, de otimismo. Saber gerir os recursos que virão, saber administrar o volumoso montante de dinheiro público que estará disponível será tarefa árdua. Entretanto não maculemos algo antes que ele comece. A vitória do Rio conclama todo um país, na letra de Chico Buarque, “Estação Derradeira” ele diz: ”Rio de ladeiras, civilização encruzilhada, cada ribanceira é uma nação”. O desafio é dar alento a essas “nações”, fazê-las convergir para este novo contrato. Estamos diante de uma nova decisão para o Brasil.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
História de uma conscupiscência desafortunada
O casal era jovem, estavam apaixonados. Não se tratava de um homem sério e uma moça recatada, pelo contrário, Henrique e Aline formavam uma dupla que exalava libido. O famoso clichê fogo e gasolina, que não sei por quem foi criado, deve ter se inspirado nos pombinhos, ou diabinhos, como preferirem.
Juntos, eles escreviam um capítulo novo a cada fim de semana. Os amigos se reuniam na segunda feira para escutar as excentricidades que Henrique e Aline faziam questão de propagar aos sete ventos. Porém, numa certa segunda feira, fez-se silêncio e as risadas de outrora se transformaram em bochechas rosadas e vergonha, muita vergonha. Explico, caro leitor.
O dia era 12 de junho, dia dos namorados. Ele queria dar-lhe a noite mais feliz de sua existência. Ela queria jantar, mas também não abria mão da volúpia encarnada em seus desejos.
Jantaram. Preferiram algo leve; ostras. Beberam. Baco lhes reservou um delicioso espumante. Explosão. Salta a rolha e o brinde se torna o ensejo para uma noite bem mais longa.
No carro, os quereres se tornam insustentáveis. O motel é proposto. Mas para qual iriam? Para o primeiro que vissem, curioso leitor, penso que compreenda do que falo.
Motel Obsessão. Suíte com banheira, cama giratória, espelho no teto (como se tudo isso fosse necessário). A cama, inclusive, era em formato de coração, vermelha, daqueles tons que até doem os olhos. Barry White nas caixas de som embalou os pervertidos. Henrique e Aline, ou Aline e Henrique, não se sabia mais qual corpo era de um e de outro. Ele liga a cama giratória. Velocidade baixa para curtir uma visão mais panorâmica. Velocidade média. Preocupação. Velocidade alta. Problema. E não cessa. Parecia que estavam em algum twister de parque de diversões. Aline começa a sentir contrações estomacais. Melhor abandonar o “ninho do amor” e tentar outro lugar.
Um banho é sugerido. A jacuzzi comportava um time de futebol, com o técnico, mas um casal era mais que suficiente. Ligaram-na e mesmo tanta água não lhes apagou o fogo. Boa temperatura. Água na altura da barriga, de repente na altura no peito, e agora já na altura do queixo. E a torneira não para de jorrar. O quarto vai se tomando por um espelho d’água constrangedor.
Henrique, desconcertado, pensa em ir à recepção para sanar os percalços. Quando abre a porta, se depara com um homem peladão, andando como Adão pelos corredores, provavelmente tinha descoberto a vida naquele momento. Ridículo.
Por essas tantas, Aline se cansara, o que mais queria era o fim daquela noite, antes que alguma coisa piorasse. A conta foi pedida. Henrique passa a mão no rosto, desolado. O execrado e desejado dinheiro tinha se esvaído todo com o jantar. O que sobrara era o dinheiro da pinga, aqueles trocados miúdos, ébrio leitor.
A quem recorrer? Os amigos tinham ido pra praia. Os primos estavam morando em outra cidade. Voltaram às origens: papai e mamãe, dele, claro. Aline queria enfiar a cabeça em um buraco. Henrique administrava o seu desconcerto com certo regozijo de seu pai.
Encerrada a conta, era hora de esquecer aquela inesquecível noite. O carro estava com as chaves dentro. Perfeito.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Desconstrução
por seis mãos
"Faber", do latim, é construir. Talvez o nome Fabrício signifique um obreiro, um construtor. Mas o que ele constrói?
Ele pode usar sua capacidade de construir para o bem ou para o mal. Pode construir uma muralha da China, mas também pode construir um muro de Berlim.
O Fabrício que conhecemos, por natureza, e aí me utilizarei da psicologia de boteco, constrói barreiras. E isso não é necessariamente ruim. Ás vezes é fascinante.
Ah, mas o que são barreiras sem ninguém para guardá-las? De que serve uma muralha, um muro, ou cerca se não há por quem resistir? E se não há quem proteger? Porque existir?
Penso que as barreiras que ele levanta são feitas de algo diferente de concreto e tijolos. São barreiras que tem a sua essência na casa das idéias. Você pode entrar na sala, dar bom dia e ir embora. Se for um ser - humano mais "convidativo" saberá ir até a cozinha, trocar algumas frases e até conhecer o quarto. São poucos que chegam até lá. É o crivo do construtor. É a barreira seletiva dos que só chegam e dos que chegam lá!!!!!
Mas este caminho percorrido da sala ao quarto é a transposição de barreiras. Os indivíduos têm em seu peito barreiras que guardam seus segredos, suas preciosidades. Transpor essas barreiras, chegar ao fundo no conhecimento de alguém é receber um tesouro. Este construtor não seria, então, um desbravador a transpor barreiras?
Seria e o é. E deve ser por isso que você, cara leitora, está com ele. Para lhes transpor as barreiras e conhecer seus mais profundos segredos. E a recíproca dele é verdadeira também !!!
...
Mudos, calaram-se. A minha caneta terminou de falar por mim e se deu por satisfeita em transferir para o papel, e agora para a tela, algo que se reserva à esquina de cada um.
"Faber", do latim, é construir. Talvez o nome Fabrício signifique um obreiro, um construtor. Mas o que ele constrói?
Ele pode usar sua capacidade de construir para o bem ou para o mal. Pode construir uma muralha da China, mas também pode construir um muro de Berlim.
O Fabrício que conhecemos, por natureza, e aí me utilizarei da psicologia de boteco, constrói barreiras. E isso não é necessariamente ruim. Ás vezes é fascinante.
Ah, mas o que são barreiras sem ninguém para guardá-las? De que serve uma muralha, um muro, ou cerca se não há por quem resistir? E se não há quem proteger? Porque existir?
Penso que as barreiras que ele levanta são feitas de algo diferente de concreto e tijolos. São barreiras que tem a sua essência na casa das idéias. Você pode entrar na sala, dar bom dia e ir embora. Se for um ser - humano mais "convidativo" saberá ir até a cozinha, trocar algumas frases e até conhecer o quarto. São poucos que chegam até lá. É o crivo do construtor. É a barreira seletiva dos que só chegam e dos que chegam lá!!!!!
Mas este caminho percorrido da sala ao quarto é a transposição de barreiras. Os indivíduos têm em seu peito barreiras que guardam seus segredos, suas preciosidades. Transpor essas barreiras, chegar ao fundo no conhecimento de alguém é receber um tesouro. Este construtor não seria, então, um desbravador a transpor barreiras?
Seria e o é. E deve ser por isso que você, cara leitora, está com ele. Para lhes transpor as barreiras e conhecer seus mais profundos segredos. E a recíproca dele é verdadeira também !!!
...
Mudos, calaram-se. A minha caneta terminou de falar por mim e se deu por satisfeita em transferir para o papel, e agora para a tela, algo que se reserva à esquina de cada um.
sábado, 5 de setembro de 2009
Trem bala
Agosto se passou com a rapidez da luz.
Á luz de novas realidades, vivo eu.
Eu caminho com a cabeça cheia de pensamentos.
Pensamentos esses que se traduzem em autoconhecimento.
Autoconhecimento significa ,em alguma medida, respeito.
Respeito a decisão alheia.
Atribulações do cotidiano agora me são frequentes.
Frequentes são as vezes que me pego refletindo sobre a vida.
Vida é algo que sempre se renova.
Renovo a mim mesmo.
Descobrir entre as coisas importantes a sua essência.
Essência é o que há de mais puro.
O amor como virtude, para que tenha sentido.
Á luz de novas realidades, vivo eu.
Eu caminho com a cabeça cheia de pensamentos.
Pensamentos esses que se traduzem em autoconhecimento.
Autoconhecimento significa ,em alguma medida, respeito.
Respeito a decisão alheia.
Atribulações do cotidiano agora me são frequentes.
Frequentes são as vezes que me pego refletindo sobre a vida.
Vida é algo que sempre se renova.
Renovo a mim mesmo.
Descobrir entre as coisas importantes a sua essência.
Essência é o que há de mais puro.
O amor como virtude, para que tenha sentido.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Maré
Vou me permitir contar outra impressão muito rotineira e intrigante no meu cotidiano, sonhador leitor.
Toda vez em que me vejo sem um norte, algum "plano B", eu sonho. É repousar a cabeça sobre o travesseiro e começam as alucinações. Até aí nenhuma novidade. Todos nós fazemos isso em algum grau.
O que me espanta é o conteúdo do sonho. Sempre o mesmo.
Tudo começa numa praia, estou rodeado sobretudo de familiares e amigos. Um dia de sol, normalíssimo. De repente o tempo se fecha. Vejo-me só. O céu escuresce de forma brutal, tons de cinza. Contudo, o que mais impressiona é o mar. Ele cresce a olhos vistos. Fica transtornado, revolto, bravio. E o ser humano que se encontra solitário na praia toma a atitude mais irracional. Vai em direção da arrebentação.
Daí pra frente é sempre conturbado, pra não dizer desesperador.
Até certo ponto eu consigo nadar e me "esquivar" das ondas. No entanto, as ondas só aumentam de tamanho, a maré sobe. Não dou mais conta de nadar, nem de respirar. Afogo.
Acordo.
Sempre com sede.
Tentei tirar algumas lições desse despropério:
1. Não é seguro nadar em mares que desconhece.
2. Em alguns casos, saber capitular é mais importante do que enfrentar a maré.
E não vou te cansar, náufrago leitor, já basta por aqui.
Uma explicação que eu ainda não alcancei e ainda trabalho nela é perguntar: para onde foram os que outrora me rodeavam?
Toda vez em que me vejo sem um norte, algum "plano B", eu sonho. É repousar a cabeça sobre o travesseiro e começam as alucinações. Até aí nenhuma novidade. Todos nós fazemos isso em algum grau.
O que me espanta é o conteúdo do sonho. Sempre o mesmo.
Tudo começa numa praia, estou rodeado sobretudo de familiares e amigos. Um dia de sol, normalíssimo. De repente o tempo se fecha. Vejo-me só. O céu escuresce de forma brutal, tons de cinza. Contudo, o que mais impressiona é o mar. Ele cresce a olhos vistos. Fica transtornado, revolto, bravio. E o ser humano que se encontra solitário na praia toma a atitude mais irracional. Vai em direção da arrebentação.
Daí pra frente é sempre conturbado, pra não dizer desesperador.
Até certo ponto eu consigo nadar e me "esquivar" das ondas. No entanto, as ondas só aumentam de tamanho, a maré sobe. Não dou mais conta de nadar, nem de respirar. Afogo.
Acordo.
Sempre com sede.
Tentei tirar algumas lições desse despropério:
1. Não é seguro nadar em mares que desconhece.
2. Em alguns casos, saber capitular é mais importante do que enfrentar a maré.
E não vou te cansar, náufrago leitor, já basta por aqui.
Uma explicação que eu ainda não alcancei e ainda trabalho nela é perguntar: para onde foram os que outrora me rodeavam?
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Mesa de bar II
Foi você que me escutou.
Foi você que me viu rir desesperadamente.
Hoje, você foi minha amiga...
...mais do que você, só a loira...
Não tenho pudores com você, usei-a mesmo. Mas mesmo assim, serviu-me de recanto.
Obrigado.
Foi você que me viu rir desesperadamente.
Hoje, você foi minha amiga...
...mais do que você, só a loira...
Não tenho pudores com você, usei-a mesmo. Mas mesmo assim, serviu-me de recanto.
Obrigado.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Tormento II
Mas você é danada mesmo !!! Achei que tinha me livrado de vez desta tua presença desagradabilíssima. Nem pede licença, senta-se neste meu sofá branco e o torna meio acinzentado. Você o suja com algum desalento que não há limpeza que tire.
Eu lhe peço, saia da minha casa. Volte pra onde nunca deveria ter saído. Eu reconheço que por hora você está menos agressiva, menos feroz, menos ferrenha com tudo que lhe oferto. Contudo prefiro você longe. É tão cômico, porque apareces nestes momentos inoportunos? Alguém te forneces todas as minhas angústias, ou elas são tão latentes em meus olhos?
Também não quero que se explique. Somente sua presença já causa um desconforto no âmago, quando ousas pronunciar algo, mesmo que balbuciando, as palavras entram e parecem estar num looping sem fim.
Quando eu for dormir, espero que tenha respeito e fique na sala. No meu quarto você não é bem-vinda. Vá durmir com seus companheiros fúteis.
Quando eu acordar, espero que tenha ido embora. E não perca tempo escrevendo bilhetes, somente vá com todo o seu conluio. Esqueça-me, como tão magistralmente vinha fazendo, e se um dia supuser voltar para me fazer uma visita; não perca seu tempo.
Saberei trancar a porta.
Eu lhe peço, saia da minha casa. Volte pra onde nunca deveria ter saído. Eu reconheço que por hora você está menos agressiva, menos feroz, menos ferrenha com tudo que lhe oferto. Contudo prefiro você longe. É tão cômico, porque apareces nestes momentos inoportunos? Alguém te forneces todas as minhas angústias, ou elas são tão latentes em meus olhos?
Também não quero que se explique. Somente sua presença já causa um desconforto no âmago, quando ousas pronunciar algo, mesmo que balbuciando, as palavras entram e parecem estar num looping sem fim.
Quando eu for dormir, espero que tenha respeito e fique na sala. No meu quarto você não é bem-vinda. Vá durmir com seus companheiros fúteis.
Quando eu acordar, espero que tenha ido embora. E não perca tempo escrevendo bilhetes, somente vá com todo o seu conluio. Esqueça-me, como tão magistralmente vinha fazendo, e se um dia supuser voltar para me fazer uma visita; não perca seu tempo.
Saberei trancar a porta.
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